Abstract:
Este estudo tem por objetivo analisar o impacto de características institucionais sobre o desempenho dos alunos no Exame Nacional de Cursos (Provão). Uma amostra de mais de 74.000 alunos das áreas de Administração, Direito e Engenharia Civil que realizaram os exames no ano de 2000 foi analisada. Foram estimados modelos multinível, pois estes dados apresentam uma nítida estrutura hierárquica. Relativamente aos aspectos individuais, verificou-se a existência de um padrão não-linear na relação entre a condição econômica dos alunos e o seu desempenho. A contribuição de níveis superiores de renda sobre o desempenho dos alunos possui um limite, a partir do qual, observam-se, inclusive, impactos negativos. Em relação aos aspectos institucionais, encontraram-se efeitos positives provenientes da maior qualificação e das melhores condições de trabalho para o corpo docente e da utilização de atividades de pesquisa como estratégia de ensino/aprendizagem. A participação em atividades de extensão, além de afetar positivamente o desempenho dos alunos, gera um efeito atenuador sobre o impacto negativo resultante da condição socioeconômica desfavorável do aluno. Verificou-se que se o aluno tinha uma renda familiar até R$ 454,00, seu desempenho, em média, tenderia a ser 3,6 pontos inferior ao de alunos com renda familiar superior a R$ 7.550,00. Porém, se ele participar de atividades de extensão essa diferença se reduzirá para aproximadamente 2 pontos e, se todos os docentes mostrarem empenho e dedicação, a diferença se situará na faixa de 1 ponto.
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