Abstract:
Nada há de original em afirmar que as relações Brasil-Argentina foram erráticas durante grande parte da História. A real dimensão das convergências e divergências é, contudo, menos evidente. Este artigo tenta examinar de forma objetiva os ciclos de avanços e recuos, conforme esquematizado no gráfico ao lado. A política externa argentina sempre sofreu impulsos contraditórios de dependência e autonomia, isolacionismo e protagonismo. Entretanto, como nota Juan Carlos Puig, por trás dessa “incongruência epidérmica” há uma “coerência estrutural”. Este artigo indaga se existe “coerência estrutural” por trás das “incongruências epidérmicas” da política argentina em relação ao Brasil. Essa questão suscita duas outras: i) o relacionamento com o Brasil é determinado pela estratégia de inserção global ou regional da Argentina? ii) a política interna argentina influencia sua postura em relação ao Brasil? Para responder à questão central, deve-se deixar de lado a perspectiva conjuntural de curto prazo e adotar a visão de “tempo longo”. A História mostra que as aproximações entre Argentina e Brasil ocorreram até os anos 1970 de forma esporádica – perpassando regimes tão diversos como os de Urquiza, Mitre, Roca, Justo, Perón e Frondizi – e se intensificaram desde os anos 1980 – passando igualmente por governos tão díspares como os de Videla, Viola, Bignone, Alfonsín, Menem, De la Rúa, Duhalde e Kirchner. Essa constatação permite afirmar que a natureza do relacionamento com o Brasil passou de conjuntural a estrutural, independentemente do regime político (democracia, ditadura) ou da situação econômica (inflação, estabilidade, crescimento, crise).
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